Onde a gourmetização não tem vez

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Yakissoba Sabor do Nordeste, do Ville Japan, no extremo sul da capital paulista

Yakissoba Sabor do Nordeste, do Ville Japan, zona sul de SP (Foto: Guilherme de Sousa)

Alunos de escola de jornalismo alternativa criaram o “Prato Firmeza”, um guia com os melhores points para se comer bem e pagando pouco fora do circuito badalado da capital paulista. E acredite: tem coisa boa para todos os gostos

 

Uma frase que costuma se ouvir com frequência nos últimos tempos é “o jornalismo acabou”. Mentira: ele está mais vivo do que nunca, mas não nos lugares onde acostumamos a procura-lo. Hoje ele se encontra principalmente na iniciativa de gente entusiasmada e jovem, cujo olhar vê o que a maioria deixou de enxergar. Assim surgiu, em 2009, a Énois, uma ONG-escola de jornalismo que orienta jovens de 14 a 21 anos.

Cada turma da Énois tem dez alunos – garotada da periferia, oriunda de cantos invariavelmente esquecidos da capital paulista –, que produzem reportagens sob orientação de professores da escola. Os temas são discutidos e decididos pela própria turma dentro da sala de aula e exigem uma coisa meio esquecida pelo jornalismo ultimamente: ir onde a notícia está. Ou seja, o pessoal bate perna, apura e descobre in loco o que está acontecendo.

Em 2012, Matheus Oliveira, um aluno que acabara de fazer um curso de gastronomia, colocou em pauta algo que o incomodava: por que a imprensa só falava de points gastronômicos do circuito chique da cidade (geralmente a dobradinha Vila Olímpia/Vila Madalena) e ignorava os estabelecimentos das “quebradas” paulistanas? Diante da questão os professores lançaram um desafio: que ele mapeasse os lugares que achava interessante em sua região, o Capão Redondo, e mostrasse o que tinham de diferente. Ali nascia o primeiro esboço do “Prato Firmeza”, que se tornou um guia online.

Mas é sempre bom lembrar que o projeto é uma iniciativa social e precisa de recursos para ser tocado. E foi apenas no ano passado que a Énois conseguiu viabilizar a versão impressa do “Prato Firmeza: o Guia Gastronômico das Quebradas de SP”.

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“O processo do livro em si começou no fim de julho, quando mapeamos mais de 70 lugares (todos inéditos). Desses, selecionamos os 40 com mais destaque para entrar no livro. Fomos até cada um deles com R$ 20 (o preço médio da maioria dos lugares), comemos, avaliamos, fotografamos e escrevemos um texto para cada um”, explica o Guilherme de Sousa, repórter que participou do projeto e estudioso barman.

O guia “Prato Firmeza” tem uma porção de points interessantíssimos, daqueles que você sente vontade de conhecer tão logo acaba de ler a resenha. Por exemplo, o Ville Japan, no Jardim Marcelo, extremo sul da cidade, único lugar do mundo onde você vai comer o yakissoba Sabor do Nordeste – que acrescenta à receita fatias de quiabo, tiras de filé mignon, linguiça apimentada, bacon, camarão e ovo frito.

Ou o Restaurante da Marlene, em Parelheiros, cujo cardápio se baseia em frutas nativas da mata atlântica, como o cambuci e tem menu que muda diariamente, de acordo com a qualidade e preço dos produtos. E também faz você querer dar uma esticada até a Vila Nova Cachoeirinha para experimentar a Mocofava do Cazuza (caldo mocotó, com carne seca, fava, linguiça acompanhado de pão), na casa que dá nome ao prato.

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Suco de cambuci do Restaurante da Marlene, em Parelheiros (Foto: Guilherme de Sousa)

Há ainda há estabelecimentos dedicados aos doces, sorvetes, pasteis, pizzas, sucos e até opções vegetarianas. Ou seja, não falta nada fora do badalado circuito da comida gourmetizada (também conhecida como cara & minguada). É questão de consultar o guia e explorar a cidade.

Para quem ficou interessado, o guia custa R$ 19,90 e pode ser adquirido na loja virtual da Énois. E se você gostou da iniciativa da escola de jornalismo, dê uma força para a galera contribuindo com seus projetos (veja aqui). Afinal, o jornalismo está mais vivo do que nunca – e, pelo visto, com um tremendo apetite. (Jeferson de Sousa)

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