O Ponche

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Dia 22 de setembro comemora-se o Rum Punch Day – sim, o dia do ponche de rum. Sabe aquela bebida à base de vinho barato e frutas que você é obrigado a tomar nas festas do colégio ou na casa da sua tia? Pois é, ela nada tem a ver com o verdadeiro ponche. A clássica mistura à base de bebida alcoólica, limão, açúcar e especiarias existe há séculos e durante muitos anos reinou absoluta entre os drinques.

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O ponche que usamos em português vem do inglês punch, que por sua vez deriva do hindu paanstch, cujo significado é “cinco” – este seria o número de elementos para a combinação da bebida perfeita: o álcool, a água, o doce, o azedo e o picante. Numa viagem à Índia em 1676, o físico britânico John Fryer anotava: “Em Nerule (arredores de Goa) se produz excelente áraque com o qual os ingleses desta Costa fabricam uma exasperante bebida chamada Paunch (cinco em hindu) com cinco ingredientes”.

Embora haja quem acredite que o ponche é uma criação inglesa (tem, inclusive, quem ache tratar-se de uma bebida norte-americana), o fato é que o ponche não teria chegado ao ocidente não fossem as incursões dos navegantes ingleses por terras indianas. Se os ingredientes mudaram ao longo dos séculos, a base de sua formulação foi preservada.

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Os marinheiros foram os grandes responsáveis pela divulgação do ponche, cuja receita levava inicialmente brandy, limão, açúcar, especiarias e alguma água (lembremos, entretanto, que água potável era o mais raro dentre todos os ingredientes, logo, era de se esperar que não fosse usada de forma muito pródiga).

Com o passar das décadas e a mudança da rota de navegação para o Caribe, o rum passou a ser a bebida preferencial na feitura do coquetel. O fato é que aquela folclórica ideia de que marinheiros e piratas se esbaldavam com puro rum é, bem, folclore mesmo: a preferência dos navegantes era por gigantescas tigelas de ponche – muito mais refrescante e passível de se beber em grandes quantidades do que o rum puro. Curiosamente, demorou décadas para se descobrir que o cítrico do limão na fórmula era responsável por evitar o escorbuto, a mais terrível doença dos mares.

A essa altura do campeonato o ponche era uma bebida muito bem aceita no seio familiar britânico. Entre 1670 e 1850 era o drinque sorvido por pobres e ricos, em estalagens ou mansões da Inglaterra. Era uma forma de aquecer-se nos invernos rigorosos em um tempo no qual a calefação era inexistente. O escritor Charles Dickens era um adepto fervoroso do ponche e chegou a colocá-lo em seus escritos (ele está, por exemplo, no final de Um Conto de Natal), além de colecionar receitas com variações da beberagem.

O ponche estava tão inserido na cultura inglesa que era natural que atravessasse o Atlântico juntamente com os peregrinos e se estabelecesse nas terras do Novo Mundo. Uma vez lá, ganhou novas fórmulas – obviamente com adaptações que incluíam o whiskey – e novos fãs, como Benjamim Franklin (que, segundo biógrafos, chegou a consumir quantidades industriais). O ponche adaptou-se tão bem aos Estados Unidos que é quase impossível não o associar a reuniões como o Natal e o dia de Ação de Graças. Pode-se dizer que na história norte-americana ele está para a bebida como a torta de maçã está para a comida.

No decorrer dos anos o ponche perdeu seu status de bebida preferencial. Dizem que uma das razões para isso foi a mudança de paradigma imposto pelos tempos modernos: em uma época na qual a pressa passou a imperar, não havia mais tempo para a lenta e elaborada feitura de um ponche clássico e as grandes tigelas foram substituídas por rápidas doses de bebidas, sorvidas rapidamente em taças e copos de shot nos bares da vida.

Não quer dizer, contudo, que o ponche tenha morrido. Ele foi transmutado, atravessou continentes e ganhou novas receitas. Persiste saboroso e forte e, entre os apreciadores do bom beber, ainda é considerado o rei dos coquetéis.

jeferson

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